sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

          Diário das três noites
   Segunda-feira, 11 de março, 1940.

   O dia amanheceu frio e nublado, estou me olhando no espelho e não vejo Adam Layckerwood, vejo apenas um homem de aparência cansada vestindo uma roupa de um couro duro, com estampas de vários tons de verde, meu cabelo está penteado e eu aparentemente estou pronto para seguir direto para a guerra-um conflito entre países que obrigam homens do mundo inteiro se separarem de suas famílias e lutarem até o fim de suas vidas por algo que nem sabemos direito o que é.
   Desço as escadas para o café meus três filhos e minha esposa já estão sentados me esperando para o café, não consigo comer quase nada mas sou obrigado a comer mais do que qualquer dia de minha vida. Depois do café reforçado todos nos levantamos e sem querer,nossos olhos se cruzam,olhos tristes segurando as lágrimas, então eu saio do meu lugar quebrando aquela corrente de dor e tristeza.
   Pegamos o carro e fomos para o porto, chegando lá eu logo ouvi chamarem pelo sargento Layckerwood, me despeço de minha família e sigo horizonte adentro, quando chego no navio me surpreendo por ver homens cantando bebendo e dançando, mas também vejo homens como eu que estão lá por serem obrigados.
   Não demorou uma hora para eu perceber que a comida e a bebida não duraria mais de uma noite.
   O capitão ancorou o navio e um bote velho de madeira, com um homem de bigode grisalho sentado em uma tábua de madeira já cheia de cupins encostou na poupa do barco e levou todos os soldados até uma área deserta com apenas sol, areia e algumas cabanas improvisadas, pude ver ao longe alguns homens com um uniforme semelhante ao nosso estocando a pouca comida que tínhamos.
   Fomos divididos de acordo com a cidade de onde viemos e depois fomos divididos novamente por ordem alfabética de acordo com o sobrenome, fiquei em uma cabana um tanto espaçosa com outros 5 homens, Tarence lidenburg, Johnny Lockehard, James Leser, Lucas Luz e Orlando Lopez.
                       1° noite
segunda feira, 11 de março, 1940

   Depois do fraco jantar tivemos um toque de recolher cedo mas alguns vigias que ficaram em uma parte mais elevada do campo não tiveram a mesma sorte, não consegui dormir, fiquei pensando na minha família, agora também preocupados comigo, não dava para mandar cartas ou fazer nenhum contato com outra pessoa, tentei fechar os olhos mas o medo de ser morto e ter que abandonar minha família me consumiu e comecei ter pesadelos antes mesmo de dormir.

terça feira, 12 de março, 1940

   No outro dia de manhã acordei muito cansado, nem me lembro de quando dormi...Tivemos um café da manhã melhor um pouco, o dia passou rápido, sem matança, sem sangue, ou qualquer outra coisa para fazer.
                     2° noite

   Entramos na cabana e eu quase consegui dormir sem pesadelos mas quando estava quase no além ouvi barulhos e gritos saímos e vimos homens de roupas brancas e manchadas de sangue gritando e dando ordens para outros carregando macas com soldados ferido e alguns até mortos...Assim...na minha 2º noite fora de casa, pude ver os primeiros sinais da guerra, homens feridos gritando por suas famílias e então eu de repente...me vi lá, no lugar daqueles homens, só esse pensamento acabava comigo, não lembro ter ido dormir, só lembro de acordar...

 quarta feira, 13 de março, 1940

    No outro dia de manhã o café foi mais reforçado apesar de ter mais pessoas no alojamento, um hospital foi montado e passamos a tarde toda aprendendo sobre primeiros socorros e táticas de batalha.

                   3° noite

    Na minha 3° noite pude deitar e pensar passibilidade de voltar para casa e abraçar novamente minha família!
  Estava quase dormindo quando fui despertado por um barulho muito forte, todos saímos para ver o que era e ao longe eu pude ver uma grande bandeira com um símbolo estranho e muitos soldados, corremos e pegamos armas, subi um pequeno morro de terra molhada e me abaixei em uma moita de um mato escuro e fedorento, lá eu pude ver pessoas gritando e muito sangue eu me levantei e antes que pude correr para ajudar...senti um frio fora do normal olhei para trás e vi um homem com uma arma apontada para mim olhei para meu tórax e havia um pequeno furo nele que saia muito sangue, minhas pernas fraquejaram me caí ajoelhado no chão virado pelo homem, outro estrondo e outro tiro dessa vez no peito, caí de costas gemendo e sangrando, olhei para o céu e vi a lua, ela estava linda e brilhante, me concentrei apenas nela, a dor amenizou um pouco mas sabia que era questão de minutos para eu sangrar até a morte, tive uma visão de minha família chorando e lamentando pela minha perda sacudi a cabeça para parar de pensar, a lua foi ficando borrada...o frio foi aumentando...minhas pálpebras estavam pesadas, uma lágrima desceu de meus olhos, o lápis na minha mão está solto mas não desisto de escrever, se um dia encontrarem este diário espero que saibam que...  

   
      

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